sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Fogo - Capítulo I

Na próxima etapa da sua vida, Pam, a Rainha Todo Mel da Flor, é capaz de controlar todos os dons que tinha e os que forem surgindo ao longo do tempo.
Ao lado do Rei Piaso, a Rainha Pâmela enfrentará todos os perigos e suportará todas as dores em nome do amor que sente pela sua família e pelo povo de Águas.
Ela será capaz de tudo para protegê-los, principalmente os seus filhos e o amor da sua imortalidade.
Pam será forte e frágil em alguns momentos.
Ela será uma Rainha em potencial, uma mãe na plenitude da palavra.
Nesse volume você entenderá e desvendará os mistérios do povo do mar, assim como o funcionamento desse universo paralelo.
Lacunas serão preenchidas.
Problemas serão solucionados.
O mal será exterminado.

Seja bem vindo ao Terceiro volume da Série Águas.


Pam

Lar

Acordar e ter a certeza de que eles estavam lá comigo foi a sensação mais incrível dos últimos meses. Hiero e Abnara estavam lindos dormindo em seus berços quando fui checá-los às cinco e meia da manhã. Toda a iluminação do quarto dava um ar aconchegante e tranquilo, o silêncio só era quebrado pelo leve som das águas abençoadas da cachoeira que entravam pela porta da varanda do quarto deles.
– Mamãe ama vocês. – Sussurrei e beijei a testa de Hiero e logo depois de Abnara, deixando visíveis as suas peles e as suas lindas coroas. – Vocês são o Príncipe e a Princesa da mamãe. Valeu a pena cada minuto.
O Patrick ainda dormia quando voltei para o quarto, então não quis acordá-lo. A nossa noite foi tão maravilhosa que ele simplesmente apagou comigo deitada sobre ele. Ajoelhada ao lado da cama, olhando e adorando o seu rosto sereno, vi que o meu marido estava merecendo um descanso depois de toda aquela tensão. Eu não conseguia imaginar tudo o que ele tinha passado, só sabia que era demais. A sua mente, até o último segundo em que ele estava acordado, estava parcialmente fechada para mim, com certeza ainda pensando em editar alguma coisa. Talvez ele mesmo quisesse contar num momento mais tranquilo e não naquela hora em que ele finalmente podia me amar como um louco, completamente hipnotizado pelo meu canto, livre de todas as preocupações e ameaças.
Como fazia desde o primeiro dia em Águas, fui até a varanda do nosso quarto para contemplar a vista da minha praia, ver aquele lindo mar, o céu azul, as árvores de todos os tons de verde na encosta da montanha, as areias brancas e sentir o cheiro da minha ilha. Ao longe, perto do limiar da névoa, os protetores dos meus filhos me deram bom dia em suas mentes e eu os retribuí com o sorriso. Manuar e Ferry estavam bem calmas, Roshy e Raksmy estavam mais ansiosos, eles queriam muito ver os bebês.
“– Vocês os conhecerão ainda hoje, está bem?”, pensei e sorri deixando os animais muito mais tranquilos e felizes com a promessa. 
Garanti que eles passaram bem a noite e que estavam bem apesar de terem nascido antes do tempo. Roshy me perguntou preocupado pela fêmea zailón que os ameaçavam, mas garanti que ela não faria mais mal algum a eles, que o pai havia garantido que ela não nos importunaria mais, assim como o seu marido. Pedi para que eles a esquecessem também, que não ficassem amargurados, mas foi muito difícil convencê-los. Eles apenas me prometeram não procurá-la e que protegeriam os nossos bebês. Agradeci, mesmo podendo ver em suas mentes que a história não tinha se dissipado e que se ela voltasse eles agiriam. Por mais que eu não desejasse aquilo, me senti mais segura.
Olhei para o Patrick quando voltei para dentro do quarto e ele ainda dormia serenamente, lindo deitado em nossa cama. Sua mente parecia calma e não consegui captar nenhum tipo de angústia ou preocupação. Coloquei uma roupa mais apresentável e fui preparar o nosso café da manhã com tudo o que ele gostava. Meu Piaso merecia um agrado depois de tudo que aconteceu.
– Eu te amo. – Sussurrei no ouvido dele antes de sair.
Enquanto eu preparava o nosso café da manhã, pensava e percebia que depois do parto dos nossos filhos me senti muito mais forte e capaz. Todo o perigo havia passado, eu não me sentia mais cansada e com medo por eles. Aos poucos eu testava cada um dos meus dons e todos funcionavam perfeitamente. Eu conseguia me transportar, levitar, mudar suavemente o tempo, controlar o vento e a água, e todos os outros. No pomar, colhi milho, inhames e mandiocas com a mente, flutuei cada fruta para sua cesta, me transportei para a cachoeira e busquei água para mim e para o Patrick; no jardim, fiz nascer lindas flores coloridas para embelezar mais o ambiente, mas foi na cozinha que tive a minha mais nova surpresa.
– Será? – Disse ao olhar para o fogo acesso enquanto cozinhava a mandioca, o inhame e o milho para o café da manhã.
Perto do fogo, estendi minha mão e mentalizei. Se tudo o que eu havia desejado desde o dia em que me tornei Rainha de Águas aconteceu, se eu conseguia controlar as águas do mar, o vento, o tempo e os raios, talvez eu conseguisse controlar o fogo também. Depois de alguns segundos comecei a ver umas chamas vindo na minha direção e fechei a mão. Ao mesmo tempo em que eu estava ansiosa e excitada por tentar, tinha medo de me queimar ou até mesmo incendiar a minha casa. Respirei fundo, estendi a minha mão e tentei mais uma vez.
– Incrível. – Disse quando o fogo pairou na palma da minha mão, mas não me queimou.
Passei o fogo de uma mão para outra e a chama ainda se concentrava ali, não tomava a minha mão por completo nem se estendia pelo meu corpo. Pensei em extingui-lo e a chama foi diminuindo, desisti e ela voltou a sua forma anterior. Toquei uma mão na outra e a chama se dividiu. Fechei uma mão e o fogo simplesmente desapareceu. Fiz várias experiências e tudo funcionava perfeitamente de acordo com os meus pensamentos. Eu me sentia forte, poderosa e capaz de me controlar como nunca havia me sentido, capaz de defender qualquer um se preciso fosse, principalmente os meus filhos e o meu Piaso.
– Última experiência. – Disse a mim mesma e abri minha mão.
Mentalizei e desejei que uma chama surgisse na palma da minha mão, mas não aconteceu. Não desisti, pensei novamente e depois de algumas tentativas eu consegui. Fiquei tão impressionada comigo mesma que quase me esqueci de tudo.
– Bom dia, meu amor. – Sussurrei baixinho no ouvido do Patrick quando subi com nosso café da manhã. – Trouxe seu café da manhã, meu Rei.
– Bom dia, minha Rainha. – Ele sussurrou sonolento e acariciou o meu rosto.
– Você quer dormir mais?
– Quero você. – Ele sussurrou e me beijou.
– Fiz suco de acerola que você gosta. – Murmurei me deitando sobre ele. – Temos que tomar café antes dos bebês acordarem.
– Eles estão bem. – Ele sussurrou beijando meu pescoço. – Eu te amo.
– Eu também. – Disse sorrindo enquanto acariciava os cabelos dele. – Você não está com fome? Fiz o suco com a água da cachoeira e está delicioso.
– Não mais que de você. – Patrick sussurrou sentindo a minha pele ao me deitar na cama.
– Os bebês, Patrick. Eles acordarão. – Sussurrei quase desistindo quando ele transferiu energia para mim.
– Desista. – Ele disse e mentalmente fechou a porta que dava para o quarto dos bebês. Também fechou a porta da varanda do nosso quarto e as cortinas. – Canta para mim, minha Sereia.
– Você não se cansa de me amar?
– Não. – Ele disse ao entrelaçar os dedos em meus cabelos. – Canta para mim, minha Sereia.
No segundo em que eu comecei a cantar tudo pareceu sumir da sua mente, ele só pensava em mim, no meu corpo, em sentir na minha mente o prazer que me proporcionava, em trocar energia comigo e ser feliz. Suas pupilas dilatadas estavam fixas nos meus olhos enquanto ele rasgava minhas roupas e me tocava.
– Minha Sereia. – Patrick grunhia enquanto me amava.
– Me ame, Piaso. – Sussurrei no seu ouvido enquanto cantava na sua mente.
– Eu já tinha treze anos de amor por você guardado dentro de mim. – Patrick rosnou na minha pele. – Juntei todos os dias da gravidez que não pude te amar. Agora eu quero você. Sempre!
– Todos os dias. – Sussurrei.
– Todos os momentos que eu puder. – Ele rosnou sentindo a minha pele. – Sou louco pela minha Sereia. Sou louco por você, minha vida.
Quase meia hora depois parei de cantar para desespero do Patrick. Ele queria mais, não estava nem um pouco satisfeito ou seu desejo por mim controlado, mas eu sentia que estava perto da hora dos bebês acordarem e precisava controlá-lo.
– Cante mais para mim. – Patrick me pediu. – Quero você, Pam. Muito.
– Amor...
– Não diga nada, minha Sereia. – Ele sussurrou e me beijou. – Eu te amo, quero você, quero ouvir mais...
– Venha tomar um banho comigo. – Pedi ao me levantar e me transportar para o banheiro.
– Te quero. – Ele sussurrou e me seguiu.
– É só para um banho, Patrick. – Sorri ao ver na mente dele o que pretendia.
– Ainda temos pelo menos mais meia hora antes deles acordarem. – Ele disse ao entrar no box atrás de mim.
– Mas ainda temos que tomar café e mudar de roupa.
– Dá tempo. – Ele sussurrou beijando meu pescoço.
– O que te deu hoje? – Perguntei sorrindo e ofegando quando ele transferiu energia novamente para mim. – Você está diferente. Sua mente está diferente.
– Estou feliz... Me sentindo livre... Tranquilo. – Ele sussurrou olhando nos meus olhos.
– Eu te amo. – Disse acariciando os cabelos úmidos dele. – Mas temos mesmo que estar prontos quando eles acordarem.
– Eu sei. – Ele resmungou e vi seu rosto se contorcer. – Mas eu te quero. Nunca é suficiente, minha Sereia.
– Eu sei, amor. – Disse tocando nos lábios dele. – Prometo que essa noite, vou cantar por... Três horas para compensar.
– Três horas? – Ele sorriu quando perguntou.
– Sim, até você não aguentar mais. – Sorri ao dizer.
– Vou beber bastante água da sua cachoeira. – Ele me desafiou e eu sorri.
– Será que um dia conseguiremos compensar os treze anos?
– Não sei... Mas continuarei tentando. – Ele disse e me beijou.
Eu precisava mudar o foco da sua mente antes que eu não aguentasse mais e cedesse mais uma vez. Eu queria, muito, mas tinha que pensar por nós dois, porque se fôssemos pela mente dele naquele momento os bebês ficariam com fome.
– Queria te mostrar uma coisa. – Disse enquanto ele me ensaboava mais conformado.
– Estou percebendo que tem um canto da sua mente obscuro.
– Eu queria te mostrar pessoalmente.
– Então me mostre. – Ele disse e se afastou de mim.
– Não sei se vou conseguir aqui. – Avisei. Dentro do box estava muito úmido.
– Prometo não te agarrar. – Ele disse com humor.
Como se você conseguisse.”. Pensei com humor.
– Tudo bem, vou tentar pelo menos. – Ele riu ao confessar.
Estendi minha mão e a sequei na toalha do lado de fora do box. Fique mentalizando, olhando firme para minha mão até que a pequena chama surgiu para espanto de Patrick. Tentei passar de uma mão para outra e mesmo na minha mão úmida a chama se dividiu.
– Quando isso aconteceu? – Patrick arfou ao passar a mão sobre a chama e sentí-la quente. Ele imaginava que talvez fosse uma ilusão.
– Não é ilusão, é real. – Garanti. – Foi agora de manhã, eu estava preparando as coisas na cozinha.
– Posso tentar?
Patrick estendeu a mão para mim e viu na minha mente, naquela hora completamente liberada, como tudo aconteceu, tudo que eu fiz e pensei. A chama passou para a mão dele e meu marido pôde sentir que não o tocava, não queimava como ele imaginava.
– Pense em extinguí-la. – Disse.
– Sumiu. – Ele reclamou quando a chama desapareceu.
– Você foi rápido demais. – Sorri ao dizer. – Agora tente fazê-la voltar.
– Incrível. – Ele disse quando a chama surgiu mesmo na sua mão úmida. – Nunca ouvi falar nisso, amor. Você... Você é incrível, maravilhosa...
– Também estou impressionada. – Comentei sorrindo.
– Você é realmente muito poderosa, Pam. – Ele disse olhando nos meus olhos. – É incrível como você está confiante e forte. Sinto isso na sua e na minha também.
Assim que saímos do banheiro e mudamos de roupa fomos ao quarto dos bebês para checá-los e ver se estava tudo bem. Abnara sorriu ainda dormindo quando Patrick se aproximou, foi lindo ver a reação dele.
– Ela é tão pequenina. – Patrick sussurrou.
– Ela é perfeita. – Disse olhando para a nossa bebê. – Ela é forte e será uma linda Rainha.
– Fiquei muito preocupado quando ela demorou a nascer. – Ele disse e vi seus olhos umedeceram. – Não podia perder a minha menina.
– Ela está aqui conosco, é o que importa. – Garanti e olhei para Hiero. – Ela vai pegar mais peso e ficará forte como nosso Hiero.
– Obrigado. – Ele disse quanto tocou no meu rosto ao se aproximar de mim.
– Por quê?
– Obrigado por ser minha... Por ter me aceito... Por estar aqui e me tornar Rei... Por me fazer pai... Por me compreender e aceitar minhas paranóias e loucuras. – Ele disse olhando nos meus olhos, vendo como os meus respondiam aos dele, brilhando lilás de felicidade. – Você realiza os meus sonhos e desejos a cada dia, Pam. Eu te amo hoje mais que ontem...
– E menos que amanhã. – Completei me abraçando a ele. – Nada disso seria possível se você não tivesse me salvo pela primeira vez.
– Acho que de um jeito ou de outro nos encontraríamos. – Ele disse enquanto saíamos do quarto para não acordar os bebês.
Patrick resolveu me contar mais sobre a sua vida, coisas que não pudemos falar por conta de toda a confusão nos primeiros meses da nossa união. Estávamos sempre tão envolvidos com toda ameaça que nos rodeava que esquecíamos até de nós mesmos às vezes.
– Por que você acha isso? – Perguntei quando senti na sua mente que ele realmente acreditava naquilo.
– Não sei exatamente. Mas de uma forma ou de outra o meu destino era você. Nós tínhamos que estar juntos, você tinha que ser minha. Ao contrário dos meus amigos, eu sempre sentia a necessidade de ir a terra, de querer conhecer os mortais.
– Você nunca me falou muito da sua infância e adolescência. – Comentei quando nos sentamos para tomar café.
– Minha vida era comum, Pam. – Ele disse e me mostrou tudo na sua mente. – Era exatamente igual a das crianças e dos adolescentes que você vê aqui na ilha. Comecei a estudar com três anos, fui aprendendo as línguas, um pouco da nossa história e do mundo, além de como lidar com os mortais em terra. Igual a qualquer outro Ser.
– A conhecia...

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